Estratégia de investimento – Dividendos

A estratégia de investimento em companhias que pagam dividendos é bastante popular e procurada. Basta fazer uma pesquisa rápida no google e já pode perceber que o que as pessoas mais buscam nas ações são dividendos:

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Mas será que comprar as ações que pagam os maiores dividendos é a melhor estratégia? É o que vou examinar neste artigo.

Primeiro, segue a metodologia e os filtros aplicados no modelo:

  • Todos os setores (nenhum setor foi eliminado),
  • Eliminar as empresas com market cap abaixo de R$ 150 milhões (o histórico foi ajustado pela inflação),
  • Eliminar as empresas com a média de volume de negociação abaixo de R$ 200 mil por dia (o histórico foi ajustado pela inflação),
  • Ações preferências vs ordinárias – selecionar a ação com o maior volume de negociação (obs.: nem sempre a ação com o maior volume paga maior dividendo, porém o foco desta análise é escolher ações com a maior liquidez),
  • Ranking pelos dividendos (a primeira posição no ranking = o dividendo mais alto, última posição no ranking = o dividendo mais baixo) no final de março,
  • Selecionar o primeiro decil (10% do universo) ou pelo menos 10 ações com os maiores dividendos,
  • Compra o portfólio de ações um dia depois do ranking, segura um ano e depois vende,
  • Repete o processo de ranking/ compra/ venda,
  • O período analisado é de 1995 até 2018.

Vamos analisar o backtest.

Resultado vs bechmarks

Tabela benchmarks

DY chart

O resultado da estratégia foi melhor dos benchmarks em relação ao retorno total. R$ 10.000 investidos no portfolio em 1995 resultariam em R$ 1,2 milhões em 2018 (versus R$ 286mil e R$ 363mil de IBOV e LFT, respectivamente). A estratégia superou o IBOV praticamente em relação a todas as métricas, exceto o retorno de melhor mês. Achei interessante o drawdown de -44%, um dos menores dos backtests apresentados nesse site até esta publicação.

A carteira demorou ~8 anos para ultrapassar o IBOV e LFT (parecido com os outros testes já realizados).

Retorno anual

tabela anual

A estratégia ganha do IBOV 70% do tempo e em relação ao LFT ganha ~50% do tempo.

Comparação – 33° percentil

Diferente dos outros backtests, não farei a comparação dos quintis. O problema no caso de dividendos é que às vezes ~30% das ações (depois do filtro) não pagam dividendos, portanto, a classifição por quintil (5 grupos com 20% cada) não funciona. Então, separei o universo em 3 grupos (cada um representando 33,3% do universo).

DY PERCENTILE33

DY PERCENTILE33 cagr

O primeiro 33° percentil ganhou em relação a outros no longo prazo, porém o segundo perdeu do terceiro. Este resultado implica que é bom investir em empresas que pagam dividendos, porém não necessariamente significa que as empresas que não pagam dividendos não podem ter períodos de desempenho bom. Observe o grande gap que o terceiro 33° percentil criou nos primeiros 4 anos do período analisado. Porém, este gap foi diminuindo e depois da crise em 2008 o terceiro 33° percentil não performou bem.

Conclusão e mais uma comparação

A estratégia apresentada demonstrou um resultado interessante e inclusive um dos melhores das estratégias testadas até este momento. Porém, ficou claro que algumas empresas do setor financeiro ajudaram no resultado final de algumas estratégias. As métricas, tal como, EV/EBITDA ou EV/GP, tiveram ótimo desempenho, porém estas carteiras não foram beneficiadas pelos retornos do setor financeiro (para o setor financeiro estas métricas não são aplicáveis). Por isso, farei a comparação da estratégia de dividendos com e sem o setor financeiro.

DY chart with and without fin

Sem o setor financeiro a estratégia ainda bateu o mercado no longo prazo, porém fica um pouco para trás da carteira com o setor financeiro, inclusive em comparação com as outras estratégias apresentadas no site (EV/EBITDA, EV/GP, P/E, ROA. ROIC).

 

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