Estratégia de investimento – Endividamento

Praticamente todas as empresas usam dívida para financiar o negócio e um certo nível de endividamento pode ser saudável para as companhias. Porém, quem não administra bem o uso da dívida pode ter problemas. Para um investidor, o senso comum é procurar empresas que não são muito endividadas. Essa é a premissa que vou examinar nesse backtest das métricas de:

  • D/(D+E) = Debt/  (Debt + Equity) = Dívida/ (Dívida + Patrimônio);
  • D/A = Debt/ Assets = Dívida/ Ativos.

Ambas as métricas trazem uma imagem semelhante, porém com pequenas diferenças. A primeira métrica (D/(D+E)) leva em consideração apenas a estrutura do capital (% da dívida sobre o capital total de uma empresa) e a segunda (D/A) demonstra o % da dívida sobre o ativo total de uma empresa.

Para saber qual é a metodologia utilizada no backtest, leia a primeira publicação – Estratégia de investimento EV/EBITDA. No caso das métricas de D/(D+E) e D/A, o menor endividamento é considerado melhor na construção do portfolio.

Resultado vs bechmarks

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debt chart

Ambas as estratégias superaram os benchmarks em todas as métricas, porém nada excepcional em comparação a outras estratégias já testadas. Outro ponto, parece que grande parte do resultado pode ser atribuído ao desempenho de uma ação que multiplicou o investimento por 10x em 1998/1999 (o retorno do melhor mês da carteira de 170% em um mês dentro desse período). O mesmo acotenceu com o backtest do ROA.

D/A – retorno anual

DA table

A estratégia ganha/ perde do IBOV e LFT ~50% do tempo. Nada especial.

D/(D+E) – retorno anual

DDE table

A estratégia ganha/ perde do IBOV e LFT ~50% do tempo e em relação ao LFT ganha 57% do tempo. Também nada especial.

D/A – resultado por quintil

DA quintiles

DA quintiles cagr

O quintil 1 superou os outros (o efeito do retorno excepcional em 1998/1999 ajudou), porém não há uma clara tendência nos resultados. O quintil 4 e 5 foi melhor que o quintil 3.

D/(D+E) – resultado por quintil

DDE quintiles

DDE quintiles cagr

Como esperado, o quintil 1 também superou os outros (o mesmo efeito do retorno excepcional em 1998/1999). A surpresa é que o quintil 2 foi o pior de todos. Inclusive, os quintis 4 e 5 tiveram um desempenho melhor do que os benchmarks (IBOV e LFT).

Conclusão

O desempenho excepcional da ação que ajudou os portfólios em 1998/1999 deve ser considerado como um outlier. Além disso, a análise dos quintis demonstrou um resultado aleatório. A conclusão do backtest é que não necessariamente as empresas com o endividamento baixo tendem a performar muito melhor e as empresas com o endividamento alto tendem a performar muito pior, ou seja, ter zero ou baixo endividamento pode ser ruim também (o uso inteligente da dívida pode trazer benefícios para a companhia). Neste backtest analisei apenas a estrutura de capital e o nível de endividamento. O que deveria ser levado em consideração é a capacidade da companhia pagar as dívidas (por exemplo, Debt/ EBITDA e Debt/ Free cash flow to firm) e o valuation pago por ação (por exemplo, EV/EBITDA, EV/GP, EV/CFO, P/E).

Um comentário em “Estratégia de investimento – Endividamento

  1. Muito interessante esse trabalho. Eu ja fiz algo no passado que considerava um mix de EV/EBITDA e D/A mas levando em conta a taxa de juros. Como a taxa de juros varia com o tempo (SELIC), eu acho muito plausivel considerar nao apenas o endividamento relativo da empresa mas o custo da divida (que tem a ver com a taxa de juro e o perfil da divida), assim sendo empresas bem administradas sao as que adquirem emprestimos em momentos oportunos com taxas de juros favoraveis.

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